O que significa Expiação?

O décimo dia deste sétimo mês é o Dia da Expiação. Façam uma reunião sagrada e humilhem-se, e apresentem ao Senhor uma oferta preparada no fogo.
Levítico 23:27

O termo expiação é pouco utilizado nos textos bíblicos. Esse termo é mais utilizado na teologia sistemática e o seu significado é de extrema importância para compreendermos o sacrifício que Cristo fez por nós.

Dessa forma, precisamos entender primeiramente o conceito de expiação que é uma reconciliação de partes alienadas entre si, a restauração de um relacionamento rompido. A expiação é realizada por ressarcir os danos, apagando-se os delitos e oferecendo satisfação pelas injustiças cometidas. Ou seja, expiação é um ato de reconciliar um relacionamento quebrado por meio de um pagamento, na bíblia esse pagamento é realizado por meio de um derramamento de sangue.

Essa expiação ocorreu tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento, para entendermos melhor, vamos explicar como cada um funcionava:

1 – No Antigo Testamento – “Estando tudo assim preparado, os sacerdotes entravam regularmente no Lugar Santo do tabernáculo, para exercer o seu ministério. No entanto, somente o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo, apenas uma vez por ano, e nunca sem apresentar o sangue do sacrifício, que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo havia cometido por ignorância. Dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Lugar Santíssimo enquanto permanecia o primeiro tabernáculo. Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios oferecidos não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa.” Hebreus 9:6-9

Como vimos no texto acima, no Antigo Testamento quem fazia essa expiação pelo povo era o sumo sacerdote, porém esse sacrifício somente poderia ser realizado uma vez por ano, e primeiro o sumo sacerdote fazia um sacrifício por si mesmo e depois pela nação. Esse sacrifício era um derramamento de sangue de um cordeiro sem mancha e sem defeito, o seu sangue era levado até o Santos dos Santos (lugar mais interior do Tabernáculo) e era aspergido, ou seja, derramado em cima da tampa da arca da aliança. Após o término desse ritual, era considerado que os pecados de toda a nação estava sendo perdoado por Deus. Existiam um outro procedimento que era levado ao sumo sacerdote dois bodes, um era morto e o outro o sumo sacerdote impunha aos mãos sobre e levado para o deserto, simbolizando que todos os pecados foram transferidos para tal animal e isolado de todo acampamento.

2 – No Novo Testamento – “Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Lugar Santíssimo, de uma vez por todas, e obteve eterna redenção. Ora, se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam, de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, para que sirvamos ao Deus vivo!” Hebreus 9:11-14

“Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo, assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam.” Hebreus 9:27-28

Já no Novo Testamento, vimos que o sacrifício não era realizado por animais, mas por Cristo Jesus, o nosso cordeiro perfeito. Não precisamos mais de um sumo sacerdote, Ele possui o sacerdócio perfeito. Sendo o nosso sumo sacerdote perfeito e o nosso cordeiro perfeito, Ele mesmo entregou-se como sacrifício por nós. Agora, não precisamos mais sacrificar animais ano após ano, Ele entregou-se uma única vez para nos trazer o perdão dos nossos pecados. Por isso, Cristo é chamado do cordeiro que tira o pecado do mundo. Não somente isto, mas Ele foi crucificado fora dos portões da cidade, mostrando que Ele não somente cumpriu o papel do primeiro cordeiro que foi morto, mas também que cumpriu o papel do segundo cordeiro que levou os pecados para longe do povo de Deus.

Conclusão

Jesus cumpriu todos os requisitos para ser o nosso sacrifício perfeito e o nosso único Salvador. Ele não é somente o nosso redentor, aquele que nos santifica, nos reconcilia e nos justifica, mas, o nosso cordeiro perfeito, aquele que fez expiação por nós na cruz. Aquele que pagou o preço por nós, que restaurou o nosso relacionamento com o Pai e que apagou os nossos delitos oferecendo a si mesmo como pagamento e tudo isso uma única vez. Não é mais necessário sacrifícios de animais, e nem buscar os sacerdotes para perdão dos nossos pecados, temos livre acesso a Deus através de Cristo Jesus. Somos livres, somos salvos e perdoados.

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Sérgio Luiz

Apaixonado por teologia e pela bíblia. Pós-graduado em Estudos Bíblicos do Novo Testamento pela universidade Unicesumar. Coordenador e professor da rede de ensino de sua igreja local.

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