O primeiro carnaval da história

O povo, ao ver que Moisés demorava a descer do monte, juntou-se ao redor de Arão e lhe disse: Venha, faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. Respondeu-lhes Arão: Tirem os brincos de ouro de suas mulheres, de seus filhos e de suas filhas e tragam-nos a mim. Todos tiraram os seus brincos de ouro e os levaram a Arão. Ele os recebeu e os fundiu, transformando tudo num ídolo, que modelou com uma ferramenta própria, dando-lhe a forma de um bezerro. Então disseram: Eis aí os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito! Vendo isso, Arão edificou um altar diante do bezerro e anunciou: Amanhã haverá uma festa dedicada ao Senhor. Na manhã seguinte, ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão. O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra. Então o Senhor disse a Moisés: Desça, porque o seu povo, que você tirou do Egito, corrompeu-se. Muito depressa se desviaram daquilo que lhes ordenei e fizeram um ídolo em forma de bezerro, curvaram-se diante dele, ofereceram-lhe sacrifícios e disseram: Eis aí, ó Israel, os seus deuses que tiraram vocês do Egito.
Êxodo 32:1-8

A palavra carnaval origina no latim “carna vale” e que significa dizer “adeus à carne”. A origem dessa festa tem uma conotação bem pagã, com rituais de fecundidade e cheios de simbologias pagãs. Inclusive na Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como Carnaval.

  1. As Sacéias que eram uma celebração em que um prisioneiro assumia, durante alguns dias, a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.
  2. Outro rito era realizado pelo rei no período próximo ao equinócio da primavera, um momento de comemoração do ano novo na Mesopotâmia. O ritual ocorria no templo de Marduk (um dos primeiros deuses mesopotâmicos), onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua de Marduk. Essa humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono.

Em ambas as festas, vemos que existiam muito da cultura pagã e da idolatria a outros deuses. Vemos também que essas festas antigas que originaram o carnaval, eram eventos em que havia uma inversão de papéis. O rei se tornava prisioneiro e o prisioneiro o rei. Exatamente como ocorrem nas festas de carnavais atualmente. As pessoas vão em desfiles de blocos, e nesses blocos elas podem se caracterizar de quem quiser. Uma pessoa boa pode se tornar um vilão e vice-versa.

Quanto ao texto bíblico, vemos que ele fala exatamente sobre esse tipo de festas, o que seria o primeiro carnaval da história, ou a primeira festa para satisfazer os desejos da carne. Na ocasião, Moisés subiu ao monte Sinai para receber as duas tábuas da Lei da Aliança de Deus com o povo de Israel. O povo vendo que Moisés demorava para retornar, já que ficou no monte durante 40 dias, pensou que ele não mais retornaria e solicitou a Arão, irmão de Moisés, que fizesse deuses para conduzi-los. Arão solicitou ao povo objetos de ouro para que fosse fundir o seu deus. Com isso, criaram um bezerro de ouro e todo o povo fez festas e se entregou a farra diante do bezerro.

O que podemos aprender com esse texto de Êxodo e que podemos comparar ao carnaval?

1 – Deus não se cria, nós que somos criaturas dEle. Qualquer desejo que o ser humano tem de  criar um deus é uma idolatria e uma ofensa contra Aquele que nos fez.
2 – O povo ficou exaltando o bezerro de ouro da mesma forma que aqueles que exaltam os carros nos desfiles de carnaval. Sendo que os dez mandamentos nos informa que o único que merece ser exaltado é o nosso Criador.
3 – A origem do carnaval tem a ver com festas pagãs e adoração a outros deuses, da mesma forma que a adoração do bezerro de ouro só foi possível devido estarem acostumados a verem adoração a animais como se fosse deus no Egito. Por isso, o carnaval jamais seria um ambiente para um cristão que deve crer somente em um único Deus.
4 – Falar que o carnaval significa “adeus a carne” não faz jus aos eventos que temos. Normalmente nesses eventos o que mais ocorrem é alimentar a carne com seus vícios, com imoralidade, com nudez e tanta outras coisas que ocorrem. Já a Palavra de Deus nos ensina que não devemos alimentar a carne, mas mortificá-la.
5 – Por muito tempo, o carnaval foi considerado somente com um baile de máscaras, o que contradiz com a Bíblia, porque ela nos mostra que não devemos usar máscaras em nossa vida. Nossa vida deve ser reta e verdadeira perante o nosso Senhor Deus.

Conclusão

Diante de tudo isso, concluímos que as festas de carnavais não são locais propícios para um cristão, para uma pessoa temente e que ama a Deus. Essas festas somente exaltam outros deuses e ensina a pessoa a entregar as seus prazeres e suas vontades. Totalmente contrário ao que a Bíblia ensina, que precisamos ter domínio próprio dos prazeres e vontades desse mundo para vivermos a vontade de Deus em nossa vida. Da mesma forma que Deus puniu aqueles que festejaram com o bezerro de ouro, irá punir aqueles que vivem uma vida desordenada e sem pudor. O melhor versículo que podemos trazer hoje para finalizarmos, é o que o apóstolo Paulo disse em sua carta a igreja de Corinto: “Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica.” 1 Coríntios 10:23

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Sérgio Luiz

Apaixonado por teologia e pela bíblia. Pós-graduado em Estudos Bíblicos do Novo Testamento pela universidade Unicesumar. Coordenador e professor da rede de ensino de sua igreja local.

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