A Igreja de Sardes

Ao anjo da igreja em Sardes, escreva: Estas são as palavras daquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço as suas obras; você tem fama de estar vivo, mas está morto. Esteja atento! Fortaleça o que resta e que estava para morrer, pois não achei suas obras perfeitas aos olhos do meu Deus. Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; obedeça e arrependa-se. Mas, se você não estiver atento, virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você. No entanto, você tem aí em Sardes uns poucos que não contaminaram as suas vestes. Eles andarão comigo, vestidos de branco, pois são dignos. O vencedor será igualmente vestido de branco. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e dos seus anjos. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Apocalipse 3:1-6

A igreja na cidade de Sardes era uma das duas igrejas que não existiam elogios para elas, era uma igreja que tinha reputação de estar viva, mas na verdade estava morta.

Contexto histórico da época

A história da igreja de Sardes tem muito a ver com a história da cidade de Sardes. Situada no alto de uma colina amuralhada e fortificada, sentia-se imbatível. Precipícios íngremes protegiam a cidade, de modo que não podia ser escalada. Seus soldados e habitantes pensavam que jamais cairiam nas mãos dos inimigos. De fato, a cidade jamais fora derrotada por um confronto direto. Mas, a cidade caiu nas mãos do rei Ciro da Pérsia em 529 a.C., quando este cercou a cidade por quatorze dias e quando seus soldados estavam dormindo, ele penetrou com seus soldados por um buraco na muralha, o único lugar vulnerável, e dominou a cidade. Mais tarde, em 218 a.C., Antíoco Epifânio dominou a cidade da mesma forma. A cidade foi reconstruída no período de Alexandre Magno e dedicada à deusa Cibele, identificada como a deusa grega Ártemis. Essa divindade padroeira era creditada com o poder especial de restaurar a vida aos mortos. No ano 17 d.C. Sardes foi parcialmente destruída por um terremoto e reconstruída pelo imperador Tibério.

Jesus apresenta-se a sua igreja

“Ao anjo da igreja em Sardes, escreva: Estas são as palavras daquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas.” Apocalipse 3:1

Assim como na igreja de Éfeso, Jesus apresenta-se como aquele que tem as setes estrelas, representando que Ele mesmo era o Senhor da igreja.

Jesus repreende a sua igreja pelo nominalismo

“Conheço as suas obras; você tem fama de estar vivo, mas está morto. Esteja atento! Fortaleça o que resta e que estava para morrer, pois não achei suas obras perfeitas aos olhos do meu Deus. “Apocalipse 3:1-2

Quando Jesus disse, fortaleça o que ainda resta e estava preste a morrer, faz referência ao terremoto que quase destruiu toda a cidade e também sobre o nominalismo da igreja, ou seja, a igreja tinha fama de estar viva espiritualmente, mas estava morta. Ela não exercia nenhuma influência positiva no reino de Deus.
Já as obras da igreja que não eram perfeitas aos olhos de Deus, fala de caráter distorcido, de motivações erradas, de ausência de santidade na igreja.

Jesus aconselha a sua igreja a arrepender-se. V:3-4

“Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; obedeça e arrependa-se. Mas, se você não estiver atento, virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você. No entanto, você tem aí em Sardes uns poucos que não contaminaram as suas vestes. Eles andarão comigo, vestidos de branco, pois são dignos.” Apocalipse 3:3-4

Quando Jesus disse, virei como um ladrão, refere-se as invasões de surpresa que a cidade teve sem esperar. Faltou vigilância na cidade. Da mesma forma, que eles foram invadidos quando ninguém esperava, Jesus está dizendo que será o seu retorno.

Já quando Jesus disse que uns poucos não contaminaram as suas vestes, ele estava referindo sobre a maioria dos crentes que estavam vivendo com vestes manchadas, ou seja, não tendo obras íntegras diante de Deus. Mas, para aqueles que tinha vestes limpas, se permanecesse assim, teriam alguma chance. As vestes sujas nesse contexto falam de pecado, de impureza e de mundanismo.

As promessas de Jesus ao vencedor

“O vencedor será igualmente vestido de branco. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e dos seus anjos. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.” Apocalipse 3:5-6

O vencedor recebendo vestes brancas, traz um símbolo de festa, de pureza, felicidade e vitória.

Já não apagar o nome do livro da vida, faz referência ao livro de registros conservados por tantos judeus quanto romanos de todos os cidadãos que formavam seus reinos e, portanto, tinham direitos e deveres a zelar. Se, por infringir a lei, um cidadão tivesse seu nome apagado do livro, significaria a total perda de cidadania. Assim também é o reino Celestial, temos deveres a zelar e mandamentos a obedecer. Para aqueles que permanecesse em fé e perseverança, por mais que o nome deles fosse apagados dos livros de registros, jamais seriam apagados do livro da vida.

Conclusão

A igreja de Sardes nos deixa um exemplo que ser crente nominal, somente falarmos que somos cristãos, sem de fato nos comprometermos com o cristianismo, tudo isso é inválido. Isso não tem importância nenhuma no reino de Deus. Ele não está preocupado com os nossos dizeres religiosos, e sim, com uma vida reta, íntegra e que agrada a Sua vontade. Ele está preocupado com as nossas atitudes e ações e não com meras palavras vazias.

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Sérgio Luiz

Apaixonado por teologia e pela bíblia. Pós-graduado em Estudos Bíblicos do Novo Testamento pela universidade Unicesumar. Coordenador e professor da rede de ensino de sua igreja local.

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