2° Mandamento – Não farás para ti nenhum ídolo

Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, o teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam, mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e obedecem aos meus mandamentos.
Êxodo 20:4-6

O primeiro e o segundo mandamento são bem semelhantes em si e poderia até mesmo ser um só, pois quem acredita em apenas um Deus, não poderá adorar a pseudos deuses, nem criar uma imagem de adoração e muito menos prestar-lhe culto.

O significado do primeiro mandamento:

Este mandamento diz que nada substitui à Deus, e que, portanto, ídolos não devem ser adorados no seu lugar. Devemos evitar toda idolatria e não cultuar a Deus de modo impróprio. Ele também exige que recebamos, observemos e guardemos puros e inteiros todo o culto e ordenanças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra.

Deus acabou de ordenar o segundo mandamento, e o que o povo fez? Exatamente aquilo que não era para fazer, criou imagens de deuses. Em Êxodo 20, Deus fornece ao povo os dez mandamentos, em Êxodo 32, o povo, cansado de esperar pela volta de Moisés, cria um bezerro de ouro para adoração. É interessante ao ler o texto de Êxodo 32, que para o povo que adorava ao bezerro de ouro, não era uma idolatria, mas uma adoração aos deuses que tinha libertado do cativeiro egípcio.

A tentativa de adorar o Deus correto da forma incorreta é tão pecaminosa quanto adorar ao deus errado. É importante ressaltar que na mente do idólatra, ele está adorando a Deus, e por isso, muita idolatria é feito em nome de boas intenções.

Todas as imagens são sempre idolatria?

Temos que entender que Deus não proibiu a criação de imagens. Ele proibiu os ídolos, as imagens feitas com cunho religioso e de adoração. Nem toda imagem é usada para idolatria. Temos um exemplo no calçadão da praia de Copacabana no Rio de Janeiro. Lá, se caminharmos pelo calçadão, vemos uma imagem do poeta Carlos Drummond de Andrade sentado em um dos banco. Vários turistas se sentam ao seu lado para tirar uma foto. É uma homenagem ao poeta e não uma adoração. Ninguém se ajoelha ou prosta a imagem. Outro exemplo, é no trevo da cidade de Três Corações (interior de Minas Gerais) tem uma imagem gigante do ex-jogador Pelé. Todos que passam próximo ao trevo conseguem enxergar essa imagem e muitos param para tirar foto. Em nenhum dos dois casos há idolatria, mas apenas um respeito por essas pessoas que fizeram história em nosso país. Esse é somente dois exemplos, mas tem inúmeros casos que poderia citar para dizer que nem toda imagem ou escultura é uma quebra do segundo mandamento, mas somente aquelas que causam adoração das pessoas.

As proibições do segundo mandamento:

Já que nem toda imagem é uma idolatria, e Deus não proibiu qualquer tipo de imagem. O que seria exatamente essa proibição? O segundo mandamento proíbe o adorar a Deus por meio de imagens, ou de qualquer outra maneira não prescrita na sua Palavra. O Senhor Deus mesmo mandou em uma determinada ocasião criar uma imagem: “O Senhor disse a Moisés: Faça uma serpente e coloque-a no alto de um poste; quem for mordido e olhar para ela viverá. Moisés fez então uma serpente de bronze e a colocou num poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, permanecia vivo.” Números 21:8-9

Deus mandou Moisés criar a serpente para que servisse de cura para as pessoas que olhariam para ela. Tinha um propósito claro e objetivo por um determinado momento. Mas, o que o ser humano faz? Distorce o propósito de Deus. Veja o que diz o texto de 2 Reis: “Removeu os altares idólatras, quebrou as colunas sagradas e derrubou os postes sagrados. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés havia feito, pois até aquela época os israelitas lhe queimavam incenso. Era chamada Neustã.” 2 Reis 18:4

Moisés criou a serpente para ser cura para o povo, e o povo utilizou a como símbolo de adoração e somente séculos depois no reinado do rei Ezequias a serpente de bronze foi quebrada. Vemos claramente, por esse exemplo que uma imagem em si não é nada, o que depende é o que iremos fazer ao olhar para a imagem. A mesma imagem que foi usada para cura, foi usada para idolatria e causou muitas vezes a ruína de Israel.

Conclusão:

Devemos tomar cuidado com a criação de imagens e esculturas, de preferência nem fazer esse tipo de objeto. É melhor errar por ser muito cauteloso, do que errar por displicência. Você pode até criar algo que será uma benção, mas as pessoas que têm o coração duro podem transformar aquilo que era benção em uma maldição. Devemos tomar cuidado com qualquer tipo de idolatria, as vezes a idolatria não é apenas em uma imagem ou escultura, mas pode ser um time de futebol, uma pessoa, um líder religioso, um líder político, um relacionamento, um membro da família, o dinheiro, enfim, tantas coisas podem nos tirar do foco de Deus e tudo aquilo que nos tira do foco dEle é um ídolo e deve ser arrancado das nossas vidas. Quero terminar com as palavras do apóstolo João em sua primeira carta: “Filhinhos, guardem-se dos ídolos.” 1 João 5:21

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Sérgio Luiz

Apaixonado por teologia e pela bíblia. Pós-graduado em Estudos Bíblicos do Novo Testamento pela universidade Unicesumar. Coordenador e professor da rede de ensino de sua igreja local.

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